Os personagens e as situações desta obra são reais apenas no universo da ficção; não se referem a pessoas e fatos concretos, e sobre eles não emitem opinião. Ciadasletras
7 de julho de 2009
Sobre flores?
31 de março de 2009
Correr (2)
(...)
Então, uma vez vi aquela meninamulher. Devia ter seus 19 anos. Andava melancolicamente cabisbaixa e levava na colera um Yorkshire Terrier – lembrava muito o meu. - Vinha de frente pra mim, no sentido contrário do calçadão reto de corrida. Tive tempo suficiente de olhar pra ela sem que ela percebesse. Imaginei milhares de motivos para ela estar ali, assim.
No meio de tanta gente estranha. Ela, estranha e linda. Alguma coisa incomodava. Algo que não tinha como eu saber o quê, algo que me intrigava e tornava-a mais linda. Sabe aquela pessoa que dá vontade de parar, sentar e bater um papo sobre a vida? Assim mesmo, inexplicável, uma intimidade que não existia. Nisso, em contraste com a alegria do cachorro, ela seguia sua introspecção.
Quantas vezes eu andava por aí assim! Corria nos meus problemas curtos enquanto o mundo voava na sua realidade. Eu era o ser e o nada. Uma busca constante pela essência que me abandonava. Mas e aí? Eu só queria mais uma vez correr. Como aquela coisa feita mal pensada. Aquele desejo latente impedido pela consciência. Não existia sentido, era só vontade. Sentimento, só correr.
Ela passou por mim, cruzou no sentido oposto e nada mais. O sol laranja-avermelhado daquele horário, vindo quase que horizontalmente me lembrou de respirar. Voltei, mais uma vez de um mundo que não era meu.
- Um pouco sobre Sartre
- Existencialismo
25 de fevereiro de 2009
Correr (1)
Play. Abro a porta, sol, rua, silêncio. Essa é sempre a melhor parte. Não ouvir os carros, os problemas, as pessoas. Silêncio que minha música dita só pra mim. Andar, respirar, seguir um caminho - que a princípio não me leva a lugar algum. Cabelo, roupa, não importa. Só quero correr, tocar naquele horizonte que eu mal posso ver. Ter a sensação de chegar a algum lugar. Desesperadamente correr.
O começo é revelador. Aquela íntima onda de raiva se transforma em força. E o corpo pede mais. Respiração forte, sorriso irônico. Vai, um pouco mais. E o vento forte contra o rosto? Como se quisesse me parar de fazer aquilo. Aos poucos a calma chega, participa do meu corpo junto ao cansaço. A dose diária de serotonina que eu preciso. O meu medicamento à base de fluoxetina. Já ouvi dizer que chocolate e sexo participam no nosso corpo com a mesma propriedade. Bom, talvez. Não vou entrar nesse assunto agora.
Pessoas passam como um vulto entretido no seu caminhar forçado. Obrigados pelo médico? Contrariados pela balança? Estresse? São muitos os motivos estampados nos rostos estranhos do caminho.
Então, uma vez vi aquela meninamulher. Devia ter seus 19 anos. Andava melancolicamente, cabisbaixa e levava na colera um Yorkshire Terrier - que lembrava muito o meu. - Vinha de frente pra mim, no sentido contrário do calçadão reto de caminhada.
- Um pouco sobre Sartre
- Existencialismo

