25 de fevereiro de 2009

Correr (1)


Ziul Sartre.

Fone de ouvido. Tênis. Chaves. Um pouco de água antes de sair.

Play. Abro a porta, sol, rua, silêncio. Essa é sempre a melhor parte. Não ouvir os carros, os problemas, as pessoas. Silêncio que minha música dita só pra mim. Andar, respirar, seguir um caminho - que a princípio não me leva a lugar algum. Cabelo, roupa, não importa. Só quero correr, tocar naquele horizonte que eu mal posso ver. Ter a sensação de chegar a algum lugar. Desesperadamente correr.

O começo é revelador. Aquela íntima onda de raiva se transforma em força. E o corpo pede mais. Respiração forte, sorriso irônico. Vai, um pouco mais. E o vento forte contra o rosto? Como se quisesse me parar de fazer aquilo. Aos poucos a calma chega, participa do meu corpo junto ao cansaço. A dose diária de serotonina que eu preciso. O meu medicamento à base de fluoxetina. Já ouvi dizer que chocolate e sexo participam no nosso corpo com a mesma propriedade. Bom, talvez. Não vou entrar nesse assunto agora.

Pessoas passam como um vulto entretido no seu caminhar forçado. Obrigados pelo médico? Contrariados pela balança? Estresse? São muitos os motivos estampados nos rostos estranhos do caminho.

Então, uma vez vi aquela meninamulher. Devia ter seus 19 anos. Andava melancolicamente, cabisbaixa e levava na colera um Yorkshire Terrier - que lembrava muito o meu. - Vinha de frente pra mim, no sentido contrário do calçadão reto de caminhada.

Tive tempo suficiente de olhar para ela sem que ela percebesse. Imaginei milhares de motivos para ela estar ali, assim.


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Foto tirada em um restaurante de Brasília.


Créditos ao meu amigo John por indicar o blog.