7 de julho de 2009

Sobre flores?


Sobre flores?
Um dia desses quando dava uma passada no comércio vi um garoto com uma rosa vermelha na mão, daqueles embaladas com plástico transparente e um cartãozinho dentro. Aparentava uns 19 ou 20 anos, roupas simples, tênis comum, sem muita moda nem muita preocupação com o que vestia. Andava meio preso, notadamente nervoso, concentrado em alguma coisa que ele não parecia controlar.

Levava a rosa com uma mão atrás do corpo, como que escondendo de alguém logo à frente. Olhei mais adiante esperando encontrar a pessoa que ganharia aquela flor, mas não vi ninguém. O estacionamento, fora os carros no entra e sai comum de meio de semana, estava vazio. Ele continuou andando daquele jeito ansioso, passou pelo prédio que era comum ao estacionamento e o comércio, virou a esquina e seguiu. Não vi o fim da história.

… mande flores. Na verdade sempre que não souber o que fazer em relação a uma mulher, mande flores.”

Já ouvi amigos dizendo isso. Vi em filmes, seriados, se não me engano em algum livro também. Parece tão simples assim. No momento que vi o garoto no estacionamento eu lembrei dessa frase. Mas olhei pra cara dele, a mão firme e preocupada na rosa, o suor descendo pelo canto do rosto... Não, não encaixava. Não se tratava apenas de não saber o que fazer em relação a uma mulher e pronto, flores, ponto pra ele. Ele sabia, ele sentia.

Aquela rosa não precisava ser dada com palavras. Era do tipo que você apenas estende a mão sem oi ou qualquer abraço de recepção e entrega. Seu silêncio já diz o que não precisaria ser dito. Nos olhos aquela frase de três palavras ditas em qualquer cartão de namorados. Na boca, um sorriso desajeitado e nada mais.