29 de setembro de 2014

Ela me olhou com aquela curiosidade satisfeita e apertou os olhos como que para extrair um pouco mais daquele sorriso que se fazia nela própria. Ficou séria. Inclinou a cabeça levemente para o lado e de conclusões feitas de respostas deu um outro sorriso e me abraçou.

Ainda ontem esse abraço me fez sorrir bobo, assim saudoso, como quem acredita que em um dia amou.

21 de setembro de 2014

cheio de significados

Tem dias que o ar tá outra textura. Até a tonalidade muda. As cores se vestem de filtro e aquele pássaro canta como em trilha ao curta desse um dia só. Aquele carro dobra a esquina cheio de significados e desaparece. Desaparecem as pessoas e ficamos num silêncio do vazio. Ou num vazio silencioso, a diferença eu já nem sei. É que me aparece esse pássaro de novo e rouba a cena cheio de entrelinhas.

2 de fevereiro de 2014

Minha cidade

Eu fico preocupado com meu estado de espírito aqui. Não encaixo. Não encontro. Com as pessoas, com os lugares, com o ar que eu respiro. Imagine-se no prender da respiração por um mergulho de piscina e a sensação de alivio posterior daquela boa quantidade de ar que vem como um copo de agua gelada no calor seco. Imagine-se nisso por um semestre. Respiração presa. Preso. Quando alguém me pergunta se saio de Brasília futuramente, suspiro como se o destino me apertasse o peito. Minha vida só acontece fora daqui. O aqui é um torpor sem fim. Não me encaixo, não me vejo. Aqui a solidão abraça silenciosamente, confortando o tempo passar. E ele passa. Passa assustadoramente enquanto eu acredito que tudo no mundo se encaixa, como num brinquedo de lógica. Sem lógica.