Os personagens e as situações desta obra são reais apenas no universo da ficção; não se referem a pessoas e fatos concretos, e sobre eles não emitem opinião. Ciadasletras
3 de dezembro de 2011
31 de outubro de 2011
Lido - Misto Quente - Bukowski
A cada página virada me perguntava onde o livro queria me levar. A cada novo palavrão, expressão e situação baixa, já esperados quando decidido ler Bukowski, ansiava um sentido, um porquê final. Ou, no mínimo, uma mudança. Mas, já adianto, ela não chega. Quando Henry, ou Hank, depois disso, dá meia-volta e sai caminhando, fechei o livro de má vontade e o joguei de lado xingando o motivo de ter lido aquilo.
Motivo esse que eu só fui entender com o passar do dia, interpretando minha agonia de, quando lendo, acabar logo o livro que só falava do lixo e do descaso. Concluindo um pouco na agonia em que levamos o dia a dia. De fato, semelhanças me faltam com o menino Chinaski. Situações, família, miséria. Ele não só vivia na crise como a era em toda a sua compleição. Mas, ali, nos detalhes encontrei aos poucos o que procurava. Toda a agonia da passividade perante à vida e às escolhas ignoradas me gritou em como podemos ser mesquinhos e medíocres com a nossa própria existência. De como viramos a cara para o que queremos e para o que somos só porque por hora é mais fácil.
Acredito que aqui não entro na questão do determinismo, de toda a situação social que molda o caráter descaracterizado da criança vítima. O retrato da crise de 29 foi claro, bem colocado de dentro da população pobre para fora, mas, a figura da crise pessoal me gritou mais intensamente. Se ao menos ele tivesse virado um John Dillinger como ansiado por certos momentos ou um jogador, como se tornara bom outrora. Mas a desvontade ainda o vencia. E, daí, veio o quase lutador, estudante, quiçá escritor, nada. Todo aquele descaso, todo esse desgosto com os gostos da vida, a negação de qualquer perspectiva, do ser autômato ou puramente instintivo. Isso me fez ver que direito eu tenho de não reivindicar à minha própria pessoa o direito de ser, de gostar, de aprender e de querer viver. Que direito eu tenho?
22 de junho de 2011
Sentido
Sentimento estranho esse por invejar a introspecção alheia. Sentir no outro essa proximidade com a própria pessoa e a isso desejar, desejar sentir. Observar o silêncio, admirar os gostos singulares e trejeitos de anos vividos em si. Ver noutrem a importância de estar só, e só assim, consequentemente, ver a beleza de se estar com alguém. Aprender que a necessidade se faz por ela mesma e que correr contra o fluxo interno é se destruir.
Hoje eu poderia ficar assim, ficar a te olhar. Aprender que no meu silêncio encontrarei as melhores respostas; nos meus desejos, os melhores caminhos; nas minhas paixões, as melhores escolhas e no teu silêncio, minha maior necessidade - a de não viver só.
24 de março de 2011
Escrito
É de emoção, é de sentimento, é de raiva, é de amor incompreendido. É uma vontade que vem e se esvanece logo depois. É um desejo de gritar que, desejado, sai mudo se dele não faço minhas palavras.
21 de março de 2011
Permitir

E aquele desejo de destruição era tão grande quanto. Era o mesmo que tinha de viver. Olhou o maço, tocou, pegou, colocou de volta. A cabeça, de tão pesada, agora lhe era leve. Fechou os olhos, cotovelos nos joelhos, mãos no rosto. Inspirou profundamente aquele cansaço enfadonho... Expirou.
Soltou também o que lhe restava. Lhe foi o ar, te foi o medo. Pegou um cigarro, acendeu, tragou, fumou. Cheiro horrível. Fato. Ele o odiava, mas como foi bom. Então, findo rapidamente, pegou o segundo e a sensação só aumentava, só o aumentava. Queria mais, queria pior, o melhor. Pensou em outras drogas, pesadas, mais caras, dinheiro ele tinha mas a compreensão já lhe bastava.
Olhou com desprezo para o quarto ou quinto cigarro que jazia incandescente em mãos e jogou o de lado, aquele brinquedo velho já não o tinha mais graça. A experiência estava feita. Aos poucos leu a mensagem, a forma miserável no qual guiava a própria vida. O medo cotidianamente fora o protagonista.
Ele, coadjuvante, sempre soube: nunca gostou de cigarros, nem da fumaça, tão pouco das pessoas que por seus motivos inalavam toda aquela nuvem pulmão adentro. Seu medo, longe de ser daqueles recheados tubinhos brancos, não o permitia que ele ferisse um mínimo que fosse sua preciosa e frágil vida. A guardava com amor e zelo para no fim, como se devolvesse uma locação, entrega-la aos vermes - intocada, não vivida e ingrata.
Aquela observada destruição. Amar é se permitir ferir. É ter o maior resguardo e no mesmo instante não o ter. É se abrir, se deixar, confiar no outro um sentimento que não se troca. Ele não é a roupa que veste, o curso que faz ou o carro que dirige. (fight club!) O que guardará desta passagem são os sentimentos que viveu. E se não se permitir sentir não permitirá viver. Que não fume por princípios (ou gosto) - não por medo de morrer. Jamais por medo.
14 de março de 2011
Pueril

As coisas que eu escrevo aqui tem cada vez menos sentido. Assim, proporcionalmente com o tempo que aqui fico sem vir. Mostra a distância que me tenho comigo mesmo. Da minha integridade e consciência que, afetadas, já não constroem nada. Volto aos tempos letárgicos que sobre mim só - e mal - sabia os assuntos e sentimentos mundanos de uma criança em crise. E assim como quem fofoca de um vizinho, cochicho de minha pessoa para aquela que deveria ser eu. Falo puerilidades com objetivos que já não sei quais são. Com isso, a passos lentos, quase inaudíveis, caminho para trás com uma determinação voraz de alguém que já não tem em que acreditar.
- Ziul, como quem termina um papo enfadonho, deu-se no ponto final. Fechou seu pequeno bloco de notas, acendeu um cigarro coxo e seguiu pelo parque que a tantos invernos fazia seu lugar.
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