Os personagens e as situações desta obra são reais apenas no universo da ficção; não se referem a pessoas e fatos concretos, e sobre eles não emitem opinião. Ciadasletras
2 de fevereiro de 2015
E nesse momento minha melhor leitura é de meus escritos no passado. Como uma nova catarse que se faz de saudosismo esquecido. Uma não lembrança carinhosa que se faz em branco somente pela tinta motivadora do tempo e nada mais. E nisso, nenhum livro tem conseguido prender melhor minha dispersa atenção que as próprias memórias de meus punhos.
29 de setembro de 2014
Ela me olhou com aquela curiosidade satisfeita e apertou os olhos como que para extrair um pouco mais daquele sorriso que se fazia nela própria. Ficou séria. Inclinou a cabeça levemente para o lado e de conclusões feitas de respostas deu um outro sorriso e me abraçou.
Ainda ontem esse abraço me fez sorrir bobo, assim saudoso, como quem acredita que em um dia amou.
Ainda ontem esse abraço me fez sorrir bobo, assim saudoso, como quem acredita que em um dia amou.
21 de setembro de 2014
cheio de significados
Tem dias que o ar tá outra textura. Até a tonalidade muda. As cores se vestem de filtro e aquele pássaro canta como em trilha ao curta desse um dia só. Aquele carro dobra a esquina cheio de significados e desaparece. Desaparecem as pessoas e ficamos num silêncio do vazio. Ou num vazio silencioso, a diferença eu já nem sei. É que me aparece esse pássaro de novo e rouba a cena cheio de entrelinhas.
2 de fevereiro de 2014
Minha cidade
Eu fico preocupado com meu estado de espírito aqui. Não encaixo. Não encontro. Com as pessoas, com os lugares, com o ar que eu respiro. Imagine-se no prender da respiração por um mergulho de piscina e a sensação de alivio posterior daquela boa quantidade de ar que vem como um copo de agua gelada no calor seco. Imagine-se nisso por um semestre. Respiração presa. Preso. Quando alguém me pergunta se saio de Brasília futuramente, suspiro como se o destino me apertasse o peito. Minha vida só acontece fora daqui. O aqui é um torpor sem fim. Não me encaixo, não me vejo. Aqui a solidão abraça silenciosamente, confortando o tempo passar. E ele passa. Passa assustadoramente enquanto eu acredito que tudo no mundo se encaixa, como num brinquedo de lógica. Sem lógica.
5 de outubro de 2013
Na minha introspecção diária de biblioteca existe uma garota. Não me atrai fisicamente e tampouco um dia cheguei a trocar poucas palavras com ela. Sentamos sempre ali, na mesma zona de mesas perto das janelas. E ela lê. Ela lê muito. Literatura brasileira, russa, inglesa. Um livro alternadamente a outro enquanto eu me perco e me encontro nos cálculos. Enquanto concurseiros folheiam seus vade mecum, enquanto uma pessoa dorme na mesa da esquerda. Cada vez que olho curioso pra ela me vem a capa do meu Murakami que dorme fechado no escuro da minha bolsa. Ela lê. Ela sublinha. Marca e escreve. Repetidas vezes. Me lembra a vontade de largar aquelas integrais, abrir meu livro e passar a tarde assim, absorto na completude introspectiva que só um livro consegue me inserir. Não sei se invejo ela. Claramente faz isso por algum curso ou trabalho, mestrado talvez, algumas incontáveis resenhas de um curso de letras. Ela sempre parece fazer de bom grado e escolha. Daquelas pessoas que quando leem fazem com que outras ao redor tenham a mesma vontade de passar umas interessantes páginas imerso naquela boa postura. Gosto. E talvez gosto por ter minha liberdade. Leio quando quero e quando posso, termino em dois dias ou dois meses, como queira. Sempre tenho a sensação que gostaria de ler muito mais do que tenho lido. Mas, se os paradigmas de um curso tornasse isso compulsório não acredito que teria a mesma vontade. E amanhã novamente ela estará ali, com seu Dostoiévski e seu Machado de Assis enquanto eu calculo os esforços resultantes numa estrutura estática. Enquanto eu calculo o tempo que terei pra mergulhar, da mesma forma, numas poucas páginas antes de dormir.
29 de setembro de 2013
25 de setembro de 2013
22 de abril de 2012
Não queria externar isso assim, não pra mim. Porque torna tudo uma possibilidade do real e dele já provei bastante do gosto que não veio. É o não de não querer assumir os momentos em que meus olhos se perdem. Daqueles em que de tudo se esquece. Desses que envolto em curiosidade ímpar te olho e só vejo a síncope do mundo.
8 de abril de 2012
Simples
Um desejo irrevogável pela rotina e resignadamente pelo simples. É uma vontade de ter amor. Ser amor. E só. E simples. De largar, de correr, de buscar, de deixar. Mudar essa diferença que me faz desigual. Ou tão igual. Me resignar pelo modesto, pelo comum e ser feliz. Uma vontade de acordar simples, trabalhar simples, com aqueles mesmo simples horários cotidianamente reclamados e acusados insossos. Mas deles, duma pura organização modesta diária, faria cada válvula de espape necessária ao que me faltasse. Ler simples, crescer simples, ser simples. E a única pretensão que afogaria o meu dia seria o aguardo daquele abraço no fim, perdido num presente simples sem a mágoa do passado nem ansiedade do futuro. Essa mania de querer ser grande é o que nos torna a todos pequenos. É o que não te deixa ser. Simples.
20 de fevereiro de 2012
Correio
Um ano. Te conhecer foi algo como o fogo. A velocidade, a intensidade e o calor. Principalmente o calor, que me queimou e marcou a ponto de acreditar. E depois de escrever em cinza, foi embora com o frio de lembrança. Me permitir. As consequências o faz agora impossível. De não ver razão, de não ver vontade, de não ver porquê. Me sabotar antes mesmo de tentar, antes mesmo de querer. Mas, no mais, não é rancor que aqui coloco por de trás dessas palavras confusas. Pelo contrário, disso só me vem boas lembranças, recordações de fogo. E, pela data, foi algo a que lembrar. E, como feito à época, escrever.
Pedro, fechou a carta e num último pensar, lacrou. enviou. esqueceu.
9 de outubro de um ano qualquer.
Pedro, fechou a carta e num último pensar, lacrou. enviou. esqueceu.
9 de outubro de um ano qualquer.
26 de janeiro de 2012
Palavra por palavra
Quando se tem muito ódio fluindo do seu coração aos planos da tua cabeça, o melhor é parar, pegar um livro, ler.
É uma forma sucinta e limpa de matar aqueles que te incomodam profundamente .
Um por um.
Linha por linha.
Dentro de você.
18 de janeiro de 2012
Seu Genário
Seu Gerário, 62 anos de muita vida. Cabelo grisalho e pele marcada ao sol. Começou como quem nada queria, como quem um dia já teve algo a perder, um dia. Viúvo de família, viúvo da vida. Essa lhe mostrou cedo o que é o amor mas também os pesares que esse o trás. E, como dito há pouco, começou. Palavra forte essa. Começar. A descobriu com o passar dos invernos, com o passar do passar. Mas essa cá é lá outra história. Começou. Despojado de sua base machista daqueles seus anos 50 de que homem que é homem não dança, se pôs a dançar.
Depois dos esportes ditos não adequados a idade, de onde tirava toda endorfina necessária ao sustento da vida de pesares, os pequenos passos ritmados se fizeram em sentido. Pouco a pouco. Breve, já não se fazia sem as noites tradicionalmente seguidas a dança. Sentia os passos bem colocados e aquele suor de algo belo. Era o esforço que na música se esvaía. Aquele giro que no chão se equilibrava. Um peão na sua rota circular no sustento de uma personalidade. Personalidade. E, com seus 62 anos, viu que sem ela não se dança. Ou se dança mas não toca. É muito mais que dois corpos se alimentando em movimentos frenéticos ou giros encaixadinhos. São duas vidas se equilibrando em medos, convicção e vontade. Duas almas inseguras que se acham, feitas em sensualidade.
Ah, o forró. Deu a seu Genário olhos no corpo que não os tinha. Aprendeu a ver na transparência daquelas peles tímidas. Mudou sua aposentadoria e tornou o dois pra lá mais próximos dois pra cá. –Você menino, já não é mais o mesmo depois de umas tantas sanfonas sentidas e uma zabumba no peito - como gosta sempre de lembrar. Ele, pelo menos, nunca mais o foi.
Arrepia o corpo da gente
Faz o véio ficar moço
E o coração de repente
Bota o sangue em arvoroço.
3 de dezembro de 2011
31 de outubro de 2011
Lido - Misto Quente - Bukowski
A cada página virada me perguntava onde o livro queria me levar. A cada novo palavrão, expressão e situação baixa, já esperados quando decidido ler Bukowski, ansiava um sentido, um porquê final. Ou, no mínimo, uma mudança. Mas, já adianto, ela não chega. Quando Henry, ou Hank, depois disso, dá meia-volta e sai caminhando, fechei o livro de má vontade e o joguei de lado xingando o motivo de ter lido aquilo.
Motivo esse que eu só fui entender com o passar do dia, interpretando minha agonia de, quando lendo, acabar logo o livro que só falava do lixo e do descaso. Concluindo um pouco na agonia em que levamos o dia a dia. De fato, semelhanças me faltam com o menino Chinaski. Situações, família, miséria. Ele não só vivia na crise como a era em toda a sua compleição. Mas, ali, nos detalhes encontrei aos poucos o que procurava. Toda a agonia da passividade perante à vida e às escolhas ignoradas me gritou em como podemos ser mesquinhos e medíocres com a nossa própria existência. De como viramos a cara para o que queremos e para o que somos só porque por hora é mais fácil.
Acredito que aqui não entro na questão do determinismo, de toda a situação social que molda o caráter descaracterizado da criança vítima. O retrato da crise de 29 foi claro, bem colocado de dentro da população pobre para fora, mas, a figura da crise pessoal me gritou mais intensamente. Se ao menos ele tivesse virado um John Dillinger como ansiado por certos momentos ou um jogador, como se tornara bom outrora. Mas a desvontade ainda o vencia. E, daí, veio o quase lutador, estudante, quiçá escritor, nada. Todo aquele descaso, todo esse desgosto com os gostos da vida, a negação de qualquer perspectiva, do ser autômato ou puramente instintivo. Isso me fez ver que direito eu tenho de não reivindicar à minha própria pessoa o direito de ser, de gostar, de aprender e de querer viver. Que direito eu tenho?
22 de junho de 2011
Sentido
Sentimento estranho esse por invejar a introspecção alheia. Sentir no outro essa proximidade com a própria pessoa e a isso desejar, desejar sentir. Observar o silêncio, admirar os gostos singulares e trejeitos de anos vividos em si. Ver noutrem a importância de estar só, e só assim, consequentemente, ver a beleza de se estar com alguém. Aprender que a necessidade se faz por ela mesma e que correr contra o fluxo interno é se destruir.
Hoje eu poderia ficar assim, ficar a te olhar. Aprender que no meu silêncio encontrarei as melhores respostas; nos meus desejos, os melhores caminhos; nas minhas paixões, as melhores escolhas e no teu silêncio, minha maior necessidade - a de não viver só.
24 de março de 2011
Escrito
É de emoção, é de sentimento, é de raiva, é de amor incompreendido. É uma vontade que vem e se esvanece logo depois. É um desejo de gritar que, desejado, sai mudo se dele não faço minhas palavras.
21 de março de 2011
Permitir

E aquele desejo de destruição era tão grande quanto. Era o mesmo que tinha de viver. Olhou o maço, tocou, pegou, colocou de volta. A cabeça, de tão pesada, agora lhe era leve. Fechou os olhos, cotovelos nos joelhos, mãos no rosto. Inspirou profundamente aquele cansaço enfadonho... Expirou.
Soltou também o que lhe restava. Lhe foi o ar, te foi o medo. Pegou um cigarro, acendeu, tragou, fumou. Cheiro horrível. Fato. Ele o odiava, mas como foi bom. Então, findo rapidamente, pegou o segundo e a sensação só aumentava, só o aumentava. Queria mais, queria pior, o melhor. Pensou em outras drogas, pesadas, mais caras, dinheiro ele tinha mas a compreensão já lhe bastava.
Olhou com desprezo para o quarto ou quinto cigarro que jazia incandescente em mãos e jogou o de lado, aquele brinquedo velho já não o tinha mais graça. A experiência estava feita. Aos poucos leu a mensagem, a forma miserável no qual guiava a própria vida. O medo cotidianamente fora o protagonista.
Ele, coadjuvante, sempre soube: nunca gostou de cigarros, nem da fumaça, tão pouco das pessoas que por seus motivos inalavam toda aquela nuvem pulmão adentro. Seu medo, longe de ser daqueles recheados tubinhos brancos, não o permitia que ele ferisse um mínimo que fosse sua preciosa e frágil vida. A guardava com amor e zelo para no fim, como se devolvesse uma locação, entrega-la aos vermes - intocada, não vivida e ingrata.
Aquela observada destruição. Amar é se permitir ferir. É ter o maior resguardo e no mesmo instante não o ter. É se abrir, se deixar, confiar no outro um sentimento que não se troca. Ele não é a roupa que veste, o curso que faz ou o carro que dirige. (fight club!) O que guardará desta passagem são os sentimentos que viveu. E se não se permitir sentir não permitirá viver. Que não fume por princípios (ou gosto) - não por medo de morrer. Jamais por medo.
14 de março de 2011
Pueril

As coisas que eu escrevo aqui tem cada vez menos sentido. Assim, proporcionalmente com o tempo que aqui fico sem vir. Mostra a distância que me tenho comigo mesmo. Da minha integridade e consciência que, afetadas, já não constroem nada. Volto aos tempos letárgicos que sobre mim só - e mal - sabia os assuntos e sentimentos mundanos de uma criança em crise. E assim como quem fofoca de um vizinho, cochicho de minha pessoa para aquela que deveria ser eu. Falo puerilidades com objetivos que já não sei quais são. Com isso, a passos lentos, quase inaudíveis, caminho para trás com uma determinação voraz de alguém que já não tem em que acreditar.
- Ziul, como quem termina um papo enfadonho, deu-se no ponto final. Fechou seu pequeno bloco de notas, acendeu um cigarro coxo e seguiu pelo parque que a tantos invernos fazia seu lugar.
20 de dezembro de 2010
O amor é importante, porra.
O amor é importante, porra.
Brasília - Águas Claras.
01h10
li.
pichado no branco. simples assim. único.
um grito desesperado para algo que constantemente
esquecemos.
esqueço.
esqueci.
27 de novembro de 2010
Tattoo
Olá,
queria fazer uma tatuagem. Agora. Uma tattoo na alma. Que marcasse e definisse como algo que nunca saberei se sou. Ultrapassasse a barreira da catarse diária e completasse a compleição do vazio que me toma.
quanto fica?
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