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22 de abril de 2012

Não queria externar isso assim, não pra mim. Porque torna tudo uma possibilidade do real e dele já provei bastante do gosto que não veio. É o não de não querer assumir os momentos em que meus olhos se perdem. Daqueles em que de tudo se esquece. Desses que envolto em curiosidade ímpar te olho e só vejo a síncope do mundo.


20 de fevereiro de 2012

Correio

Um ano. Te conhecer foi algo como o fogo.  A velocidade, a intensidade e o calor. Principalmente o calor, que me queimou e marcou a ponto de acreditar. E depois de escrever em cinza, foi embora com o frio de lembrança. Me permitir. As consequências o faz agora impossível. De não ver razão, de não ver vontade, de não ver porquê. Me sabotar antes mesmo de tentar, antes mesmo de querer. Mas, no mais, não é rancor que aqui coloco por de trás dessas palavras confusas. Pelo contrário, disso só me vem boas lembranças, recordações de fogo. E, pela data, foi algo a que lembrar. E, como feito à época, escrever.


Pedro, fechou a carta e num último pensar, lacrou. enviou. esqueceu.
9 de outubro de um ano qualquer.

2 de abril de 2010

Aquele Ano Novo (2)

(...)

A conversa não seguia rumo algum. Casa animada, música de fundo e vozes no andar de baixo. Duas amigas se abraçavam como se matassem uma saudade de anos ausentes. Jane olhou pras duas e sorriu inocente com o canto da boca, olhou pra mim e assim ficou. Sorri também meio sem jeito... Foi ai que aconteceu.


O som desapareceu aos poucos. As vozes, as pessoas... Minha visão periférica era um borrão. Como quando numa máquina fotográfica colocamos o foco em macro, fechado em algo e o resto ao redor é só resto. Olhava-a por cima. Ela imóvel, com toda aquela vida nos olhos. O sorriso se dissipou lento até um ar preocupado, sôfrego. Não, não teria força naquele instante que desviasse nossos olhos, não existia mais razão. As pessoas ao redor perderam sentido. O que eu era agora se resumia a distância que estava dela, e só.

Não me lembro de ter descido o rosto. Em um segundo Jane estava tensa, eu também. A respiração quente, urgente, era o que separava milímetros. Em volta, senti o ambiente parado. As pessoas, a expectativa e a iminência. Era aquele silêncio aflito, aquele último ar antes do...
~
Horas se passaram. Eu olhava pra ela, ela pra mim. Os dois deitados sobre o tapete da sala. Todo mundo continuava numa conversa sonolenta de cinco horas da manhã. Não notavam nas duas figuras que se entreolhavam ali no meio. Naquele instante ficaria o resto da vida assim, sentindo a respiração dela bater em intervalos na minha boca.

É um estado em que duas pessoas se aceitam em um nível nunca entendido. Não era nada sexual, não era físico. A presença nos olhos ali já bastava, uma comunicação que existia sem existir. Uma compleição dos corpos que de dois agora eram um. Era o conforto, o quente que eu sentia por estar perto e o frio que eu provaria logo depois pela sua distancia.

  • Um pouco sobre Eros

27 de março de 2010

Aquele Ano Novo (1)


-Mais um dos antigos. Tinha me banido de colocar esse texto aqui mas vamos lá.
Aquele Ano Novo (1)
Pedro Eros.
Pedro não via lá muito significado em datas festivas como o Natal e o Ano Novo. Para muitos uma nova vida, novas realizações e fogos de artifícios de um novo amanhã. Para ele, apenas um passar de dias diferente. Dispensava o branco da paz, o pulo das sete ondas e o pedido aos céus. Gostava mesmo da reunião familiar alegre e de sempre, sempre muita comida. Isso era tudo, zerava o calendário.

Não costumava ir a festas e afins que aconteciam na virada do ano, preferia ficar em casa. Família e amigos, tudo aquilo de tradicional e reconfortante. Todas as piadinhas seguidas anos a risca. Quando dava encontrava o pessoal depois da meianoite. E foi assim naquele dia, uns amigos uma festa.

Morava em um setor de casas isolado da cidade. Não era longe, levava alguns poucos minutos de carro. Minutos esses que dizia sagrados. Era bom pra esquecer, curtir, relembrar qualquer coisa que tivesse acontecido. Pensar nos cotidianos da vida. Tudo ao som de uma boa música e a paz que criara daquele lugar. Naquele dia, no caminho, sem duvidas teve alguém a mais em quem pensar.

Ano novo! Devia ser umas três ou quatro horas. Todo mundo junto numa conversa distraída, roupas brancas e o primeiro dia do ano.

Jane M deitada sobre suas pernas cruzadas, tinha um olhar distante, tranqüilo... Quando falavam se entreolhavam de cabeça pra baixo. Pedro não conseguia, sempre deixava escapar uma olhada a mais. Não podia demorar um pouco nos olhos dela que tudo ficava lento, estranho, perfeito. Aquele brilho a mais, novo, naquele dia único. Aqueles olhos eram o conforto da noite. O conforto de um ano que terminara difícil, de um outro que começara bem.

A conversa não seguia rumo algum. Casa animada, música de fundo e vozes no andar de baixo. Duas amigas se abraçavam como se matassem uma saudade de anos ausentes. Jane olhou pras duas e sorriu inocente com o canto da boca, olhou pra mim e assim ficou. Sorri também meio sem jeito... Foi ai que aconteceu.

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